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EL SIGNIFICADO ESOTÉRICO DE LA CRUZ
Pr. Paal OM Cherenzi Lind

Aparte de conferência improvisada ante uma reunião de Mestres de Lojas Esotéricas, em Lausanne, Suíça, em 27 de Abril de 1929; e repetida em parte na M:. R:.Loja Maçônica "FÉ", de São Domingo, República Dominicana, em 20 de janeiro de 1930.

significado esoterico de la cruz

"Não nada mais forte, mais belo, mais útil nem mais necessário do que a Verdade''.  Tdashi Hutulktu Lhasshekankrakrya 

"Buscando encontraremos, mas é somente buscando a perfeição que conseguiremos saber a Verdade, porque aperfeiçoando-nos, voltaremos à Verdade. Swami Jñanakanda

A antiguidade da Cruz não pode discutir-se, como tampouco o seu significado cosmológico e seus grandes poderes naturais. Isto me proponho demonstrá-lo de uma maneira concludente e indiscutível: mas como se trata, por um lado, de um símbolo de profundo significado, e por outra de um signo de poder supremo e inevitável, dividirei meu trabalho e tratarei desta vez tão só do aspecto SIMBÓLICO, deixando para outra oportunidade a análise e a exposição de sua parte POTENCIAL ou Mágica.[1]

Mas antes de ir mais adiante em nosso estudo, vejamos de uma maneira sucinta o que é um símbolo, pois, se a Cruz constitui um, devemos saber antes de tudo no que implica tal coisa. Antigamente, era costume dos Instrutores religiosos e filosóficos manter as grandes verdades ao abrigo dos maus usos e das más interpretações com as quais podiam dirigi-las à ignorância dos profanos. Não era o caso meramente de esconder as verdades ou colocá-las fora do alcance das pessoas não-iniciadas os Grandes Mistérios da Natureza, senão de velar estas verdades de modo que pudessem estar sempre em contato com todas as pessoas, sem permitir, não obstante, que os profanos pudessem profaná-las com sua ignorância. Pois nada mais a propósito para o caso do que o símbolo.

O símbolo representa uma coisa ou uma verdade sem explicá-la. Por sua representação, o sábio reconhece todo o seu profundo significado, e o iniciando tem nele todo um problema. Não poderíamos dizer toda a Cabala do ignoto que investigamos, no momento, ao querer penetrar os Mistérios da Natureza.

O símbolo significa ou representa uma verdade. Sua aparência responde, pela lei das analogias naturais, a uma certa verdade, e é por isso mesmo, pelo que significa e representa esta mesma verdade, com a qual guarda uma surpreendente correspondência ou equivalência. Nem sempre se pode compreender esta misteriosa relação que há entre um símbolo e certas verdades que parece representar, mas os Iniciados não se equivocam jamais a este respeito, pois o sabem. Neste caso, o símbolo serve de elemento inspirador ou recordador. Para o vulgo, em troca, o símbolo é mudo, pois ignorando as verdades em si, que representa, é possível conhecer o valor que entranha, e é por isso mesmo que vemos constantemente os símbolos como espécies de formas mortas, cadáveres, que apenas significam alguns atributos que a fantasia ou que as tradições populares vão tecendo em seu redor.

Mas como se vê, um símbolo tem uma estranha correspondência com as verdades que representa ou significa. Pois, precisamente, o caso é que como intervém aqui a lei de analogia, temos em realidade uma correspondência natural na qual a verdade representada [no símbolo] parece comunicar-se a seu símbolo representador. Estamos, aqui em pleno domínio das leis das "assinaturas naturais", ou seja, dos reflexos das verdades, onde os símbolos são como suas sombras, ou se se prefere, seus carimbos (firmas mágicas)[2].

Voltaremos sobre este particular, pois nos afastamos do simbolismo. Sabemos que um símbolo não é um signo escolhido caprichosamente ou à vontade, e que não é arbitrário, se não que constitui por razões da lei natural das analogias, certas semelhanças com as verdades que representa. Por ora, isto nos basta para adiantar nossas análises e investigações dos significados desse profundíssimo simbolismo, que é o da Cruz.

Sabemos de imediato que os símbolos não foram feitos para rodear de mistério a nenhuma exegese ou com o propósito de tomar perplexa a mente, com estranhos signos que ao menos não seriam senão caprichosos arabescos. Mas se os grandes mistérios que encerram certos símbolos em seus profundos significados não são mais conhecidos, não é por culpa dos sábios Mestres da Ciência Secreta (Ciência Sagrada), se não de quem não tem a suficiente elevação de espírito para poder investigar os Mistérios da Natureza e reconhecer suas correspondências em seus respectivos símbolos. Esta ignorância afasta das Verdades e sujeita às fraquezas e malignidades das mentes que se guiam por ela, e isto é o que faz com que se fizesse da Cruz uma candorosa invenção de criminosos, segundo o dizer dos Evangelhos cristãos, e que mais tarde, sob esta mesmíssima inspiração, a fizera servir de lema de vândalos disfarçados de cruzados, em seguida atacando com adaga fratricida contra os aborígenes dos cinco continentes, que não podiam compreender os absurdos que se pretendiam infundir-lhes como significado de tão vetusto e profundo quanto sagrado símbolo.

Esta ignorância fez também com que as cebolas, as pombas, os cordeiros, os leões, os Lotus, o Sol, as Estrelas, as pedras[3], os falos e tantíssimos outros símbolos das primitivas eras fossem tomados como significado em sua estrita aparência objetiva, conseguindo assim um motivo para consagrar aos antigos sábios como meros idólatras e fetichistas. Mas devemos conceder também, pelas provas que nos oferecem estes mesmos fatos, que estas imputações correspondem mais aos modernos cristãos que assim criticam os que respectivamente chamam pagãos. Isto vou-lhes demonstrar em seguida no curso de meu estudo, e veremos que com efeito os cristãos desconhecem por completo a fundo o significado deste símbolo que eles fizeram seu, exclusivamente, sem se aperceberem que sua acepção é a mais pobre, simbolicamente, que se possa dar à Cruz.

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Traduzido do espanhol. Conferência completa pode ser solicitada no link de publicações da Revista ARIEL:

http://revista-ariel.org/index.php/publicaciones/libros-en-venta

[1] Esta parte Mágica do estudo sobre a Cruz foi objeto de uma exposição feita ante o Congresso de Cabalistas celebrado em Koenigsberg, (Alemanha), em 24 de Março de 1929. Será publicado em breve, com a firma Rabi Darti Bem Natchoun.

[2] É indispensável referir-se ao nosso estudo sobre os poderes Mágicos da Cruz.

[3] Consulte-se nosso estudo sobre os TALISMÃS.